
Gente que transforma programas de Tv em realidade me intriga. Mas gente que nunca trocou a realidade pela Tv me intriga muito muito mais
Por anos, a televisão foi minha melhor amiga, e o controle remoto, a extensão do braço. Quando menino, era impossível compreender a vida de residentes de outras localidades, onde a Record ou a Bandeirantes não chegava. Fantasiava que gente do interior havia sido mandada lá para cumprir pena, onde só havia dois canais e nenhum passava Corrida Maluca ou Pirata do Espaço. Em suma, uma prisão no inferno.
Por falar em prisão, certa vez a mãe ficou nervosa porque ligaram da escola dizendo que o carcereiro havia me surpreendido assistindo Tv na ” sala do vídeo”, enquanto eu devia estar na enfermaria. Que mané dor de estômago…foi tudo parte de um ardiloso plano, para que eu conseguisse gravar o especial de cinco partes do G.I.Joe, que passaria aquela semana no Xou da Xuxa. Fui suspenso e o escambau, e o diretor me achava tolo pelo feito, não entendendo o porque do risco. Não tive por onde explicar, e não o tenho agora, mas se queres ver a extensão da influência da Tv na minha vida, basta surfar este site. Se boa ou ruim, você decide.
O canal correto na hora certa sempre foi capaz de informar, entreter e educar mais do que a maioria das pessoas de minha cercania. Logo, o abuso; TV ao acordar, antes do mictório, TV ao chegar da escola, antes de almoçar, durante e depois. Em retrospecto, não lamento o tempo perdido vendo bobagens na TV, porque bobagens as vemos em todo lugar, mas sim o tempo que minha atividade intelectual ficou suspensa. É este o efeito mais nefasto da TV, ao meu ver, sua capacidade de nos atirar num estágio de inconsciência receptiva, do qual os políticos, publicitários e afins se valem o tempo todo para tentar nos moldarem as ideias. E não raro, conseguem.
Durante a alta adolescência, assistir à TV só não era melhor do que ouvir os prognósticos sobre seu futuro: falava-se de mil canais, telas gigantescas, som estereofônico, exibições em 3D até. Havia algumas apostas que a TV perderia terreno para uma tal de WEB. Porém, não havia aposta nenhuma que a tal web chegaria aos 10 anos de uso cambaleante, e que a TV faria uso dela apenas como mera ferramenta de transição entre sua primeira e segunda encarnação, que começa a ganhar corpo agora. E ninguém apostou que o maior responsável pela revolução seria o Steve Jobs, o então conhecido apenas entre a comunidade nerd por ter criado aquele computador maneiro: o Apple Macintosh
Há uma diferença entre WEB e INTERNET. WEB é o protocolo WWW. INTERNET é a rede pela qual os dados trafegam, e essa está mais viva impossível. Que ver só? Usemos como exemplo fulano, que acorda e usa o aplicativo ( app ) do Ipad para checar suas mensagens. Depois, durante o café , dá uma bisoiada no Facebook, no Twitter e no Estadão. Mais três apps. No caminho para o trampo, ouve o Nerdcast em seu smartphone, mais um app. No escritório, usa Skype e LinkedIn, e à noite, joga Playstation Online e assiste Batman, o Cavaleiro das Trevas, no Netflix. Pronto. Fulano passou o dia inteiro na internet, mas não na WEB. Graças aos miraculosos Apps.
Quem inventou o conceito de App? A AppStore, a loja online que vende os aplicativos? O Itunes, o software que gerencia as transações e armazenamento dos mesmos ? É tudo obra do visionário Steve Jobs. Desde sua morte, muito se falou de como seus Iphones, Pads, Pods e Macs mudaram nossas vidas. Alguns outros doentes por animação, como esse que vos escreve, centrou seus obrigados no fato de ele ter criado a Pixar. Mas seja por distração, seja por falta de visão além do alcance, pouco se disse sobre o verdadeiro legado de Steve: os pedágios necessários para que a estrada da informação para o futuro, a qual ele também ajudou pavimentar, possa se manter, pois é impossível que esse modelo de “pegar na internet de graça” se sustente ad eternum.
Eu vejo o futuro: Steve Jobs, Steve Jobs e Stev… Cacete! Será que essa p$%*a tá funcionando direito ?
Com o conceito de app, AppStore e ITunes, o senhor Jobs ofereceu uma solução para a comercialização de conteúdo online. Quem já comprou qualquer coisa lá sabe que o negócio funciona. Também percebe que é um serviço que a maioria esmagadora está disposta a usar . Me pergunto também se com isso, Steve Jobs não plantou a semente que mudará nossa relação milenar com o dinheiro, que deverá ser perto do 100% virtual nalgum futuro próximo. Talvez eu esteja errado, mas sinceramente, não é o que diz meu sentido de Aranha.
Está uma bagunça. Postei no Facebook uma recomendação de uma série, o Trono de Ferro. Vários me escreveram perguntando onde passa. Foi quando me dei conta da balbúrdia. Quando menino, era fácil coordenar o calendário televisivo com um amigo. Hoje, é impossível. Sei lá onde passa. Incrível. Como se assiste à TV virou tema de conversa tanto quanto o conteúdo da própria; ” eu assisto assim”, ” eu, assado”.
Aqui em casa, quem sofreu muito com esse negócio foi a patroa. Pois eu, nerd e entusiasta das novas tecnologias, me valendo dos plenos poderes de ministro dos eletrônicos do lar a mim conferidos, decidi que não teríamos TV. Ao invés, ligaríamos a dita cuja a um computador e assistiríamos à internet. No começo foi difícil; a vergonha ante os amigos nos perguntando ” cadê seu controle remoto? “… O aprendizado do manejo do mouse sem fio na coxa direita… A incompreesnão da sociedade… Mas agora, que várias das aparentes infinitas maneiras de assistir TV estão domadas, é só delírio.
Além de assistir muita coisa no YouTube e Vimeo, tenho usado o Netflix. Tem minha total simpatia. Quinze lascas por mês, fácil de usar, funciona de maneira decente e sem comerciais. É na verdade, um site, mas ouço que há novos aparelhos de tv que já saem da fábrica com o app. Opera de forma semelhante à AppleTv, imagino, e ao Itunes e Hulu, que são todos apps. Se eu tivesse que apostar no futuro da Tv, apostaria nesse sistema.
Uso também um tal de Megacubo para assitir Tv aberta e a cabo. É uma programa que se baixa gratuitamente, enche seu computador de Deus sabe lá o quê, e às vezes pára de funcionar por obra de sei lá qual Demônio. Mas ainda assim, faz a funça, e me dá a sensação de estar dando uma banana aos gângsteres do monopólio da telefonia e do cabo. É como o próprio Jobs dizia: às vezes, é preferível virar pirata do que entrar para a Marinha.
E tenho, claro, um HD de trocentos teras com séries, filmes e desenhos. Muitos desenhos. Comprados e ripados, ou achados na rua, depois de terem caído de algum caminhão…
Sei que também é possível ver TV através do Playstaion ou Xbox, mas não os tenho por motivos já ditos.
E há, claro, antenas de todo tipo. Nunca usei nenhuma.
A felicidade suprema, contudo, reside em ter finalmente encontrado alternativas às infames Tv aberta e a Cabo. A úlltima, pior que a primeira, pois além de cobrar os olhos por conteúdo ruim, tem ainda uma quantidade obscena de comerciais. O que permite tal alternativa são os benditos apps de Steve Jobs. Fica aqui meu segundo agradecimento à grande contribuição deste à minha vida.
E para fechar, qual outra senão a animação do Senhor Tex Avery sobre a TV do Amanhã, de 1953 ? Piadas a parte, quem imaginou que decidir como assitir Tv seria tão difícil ?
Sem respostas até agora.
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